Transtorno do humor: o que é, sintomas, e tipos
- Aline D'Avila

- há 23 horas
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Às vezes não é “só uma fase”. Não é apenas cansaço, estresse ou excesso de responsabilidade. Quando o humor muda e não volta ao equilíbrio, quando a tristeza se prolonga ou a irritabilidade passa a fazer parte da rotina, é importante parar e olhar com mais atenção.
Alterações persistentes no estado emocional não devem ser naturalizadas especialmente quando começam a impactar trabalho, relações e a própria percepção de si.
O transtorno do humor é uma condição clínica que vai além das oscilações emocionais normais da vida. Ele envolve mudanças intensas e duradouras no estado emocional, podendo se manifestar como tristeza profunda, sensação de vazio, irritabilidade constante ou até períodos de energia excessiva e impulsividade.
O que é Transtorno do Humor?
De acordo com o DSM-5-TR, os transtornos do humor (atualmente organizados nos transtornos depressivos e bipolares) são caracterizados por alterações significativas e persistentes no estado emocional que causam sofrimento ou prejuízo funcional.
Isso significa que não se trata apenas de sentir tristeza após uma perda ou frustração. O que diferencia um transtorno é:
A intensidade dos sintomas
A duração (semanas, meses ou anos)
O impacto na vida diária
A Organização Mundial da Saúde destaca que a depressão está entre as principais causas de incapacidade no mundo. Ou seja, estamos falando de um problema de saúde pública — não de fraqueza emocional.
Aqui está um ponto essencial:Emoções fazem parte da vida. O transtorno começa quando elas deixam de ser passageiras e passam a dominar o funcionamento.
Quais são os principais tipos de Transtorno do Humor?
1. Transtorno Depressivo Maior (Depressão)
A depressão é caracterizada por pelo menos duas semanas de sintomas como:
Humor deprimido na maior parte do dia
Perda de interesse ou prazer
Alterações no sono
Fadiga persistente
Sentimentos de culpa ou inutilidade
Dificuldade de concentração
Segundo o National Institute of Mental Health, o diagnóstico requer prejuízo significativo no funcionamento social, profissional ou familiar.
Um aspecto pouco discutido é o impacto cognitivo. Muitas pessoas relatam:
Lentidão no pensamento
Esquecimentos frequentes
Dificuldade para tomar decisões
Esses sintomas frequentemente levam à suspeita de TDAH quando, na verdade, o quadro principal pode ser depressivo.
2. Transtorno Bipolar
O transtorno bipolar envolve alternância entre episódios depressivos e episódios de mania ou hipomania.
Durante a mania podem ocorrer:
Energia excessiva
Redução da necessidade de sono
Fala acelerada
Impulsividade
Tomada de decisões arriscadas
Muitas vezes, o episódio maníaco é confundido com “fase produtiva” ou “momento de motivação intensa”. Porém, quando há prejuízo funcional, conflitos ou consequências financeiras e sociais, é necessário investigar.
O diagnóstico correto é fundamental porque o c difere significativamente do tratamento da depressão isolada.
3. Transtorno Depressivo Persistente (Distimia)
A distimia caracteriza-se por humor deprimido na maior parte dos dias por pelo menos dois anos em adultos.
A pessoa geralmente funciona — trabalha, mantém compromissos — mas descreve:
Desânimo constante
Baixa autoestima
Falta de prazer
Sensação de que a vida é “sem graça”
Por ser mais sutil e crônica, é frequentemente negligenciada.
Como diferenciar tristeza normal de transtorno?
Tristeza Normal | Transtorno do Humor |
Relacionada a evento específico | Pode surgir sem causa clara |
Duração limitada | Persistência por semanas/meses |
Recuperação gradual | Não melhora espontaneamente |
Funcionalidade preservada | Prejuízo significativo |
A duração e o impacto são os principais critérios de alerta.
Sintomas que merecem atenção
Mudança persistente de humor
Irritabilidade frequente
Isolamento social
Alterações no apetite
Alterações no sono
Dificuldade de concentração
Sensação de vazio ou desesperança
Quando esses sinais permanecem por mais de duas semanas, é indicado procurar avaliação profissional.
O papel da avaliação neuropsicológica
Em alguns casos, os transtornos do humor afetam diretamente funções cognitivas como:
Atenção
Memória
Planejamento
Organização
A avaliação neuropsicológica permite investigar:
Se há comprometimento cognitivo associado
Se os sintomas são primários do humor ou secundários a outra condição
Se há necessidade de encaminhamento multidisciplinar
Esse processo é importante especialmente quando há dúvidas diagnósticas.
Impacto nos pais e na dinâmica familiar
Pais com transtornos do humor podem apresentar:
Menor disponibilidade emocional
Irritabilidade aumentada
Dificuldade em manter rotina
Culpa intensa
Não se trata de julgamento. Trata-se de reconhecer que o cuidado com a saúde mental dos adultos influencia diretamente o ambiente familiar.
Buscar ajuda é um ato de responsabilidade — não de fraqueza.
Tratamento
O tratamento pode incluir:
Psicoterapia
Acompanhamento psiquiátrico
Intervenções combinadas
Estratégias de regulação emocional
Diretrizes internacionais apontam que a combinação entre psicoterapia e, quando necessário, medicação, apresenta bons resultados em muitos casos.
Cada quadro exige avaliação individualizada.
Quando procurar ajuda?
Procure avaliação profissional se:
Os sintomas persistem por mais de duas semanas
Há prejuízo no trabalho ou nas relações
O sofrimento é significativo
Há mudanças intensas de comportamento



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