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Quem tem autismo tem sensibilidade sensorial?

Foto do escritor: Aline D'Avila
Aline D'Avila
há 2 minutos
6 min de leitura

Sim, pessoas autistas podem apresentar sensibilidade sensorial, e essas alterações são muito frequentes no Transtorno do Espectro Autista (TEA).


Elas podem envolver sons, luzes, toque, texturas, cheiros, sabores, temperatura e movimento. Mas isso não significa que toda pessoa autista seja hipersensível.

Enquanto algumas pessoas sentem determinados estímulos de forma muito intensa, outras podem percebê-los com menor intensidade ou até buscar estímulos sensoriais com frequência.


Por isso, quando falamos em autismo e sensibilidade sensorial, estamos falando de diferentes formas de perceber e responder ao ambiente.


Sensibilidade sensorial faz parte do autismo?


Pode fazer. Os critérios diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista incluem, entre as possíveis características do quadro, a hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais e o interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente.


Isso pode aparecer, por exemplo, como:

  • desconforto intenso com determinados sons;

  • incômodo com luzes fortes;

  • dificuldade com algumas texturas de roupas;

  • seletividade alimentar relacionada à textura ou ao cheiro;

  • pouca reação a determinados estímulos;

  • necessidade constante de tocar, cheirar ou observar objetos;

  • busca frequente por movimento.


Mas existe um ponto importante: a sensibilidade sensorial não precisa estar presente para que uma pessoa seja diagnosticada com autismo.


Ela é uma das características que podem aparecer dentro de um conjunto mais amplo avaliado durante o processo diagnóstico.


Toda pessoa autista tem hipersensibilidade?


Não. Esse é um dos principais equívocos quando falamos sobre autismo e questões sensoriais. A pessoa autista pode apresentar diferentes padrões de resposta aos estímulos.


Hipersensibilidade


Na hipersensibilidade, determinados estímulos podem ser percebidos de maneira muito intensa.

Isso pode acontecer com:

  • sons;

  • luzes;

  • cheiros;

  • sabores;

  • texturas;

  • toque;

  • temperatura.

Uma etiqueta de roupa, por exemplo, pode causar um desconforto difícil de ignorar.

Um barulho que parece comum para outras pessoas pode ser extremamente incômodo para quem apresenta sensibilidade auditiva.


Hipossensibilidade

Também pode acontecer o contrário. Na hipossensibilidade, a pessoa apresenta uma resposta reduzida a determinados estímulos.


Ela pode, por exemplo:

  • reagir menos a alguns sons;

  • perceber menos mudanças de temperatura;

  • apresentar pouca resposta aparente a determinados estímulos físicos;

  • precisar de estímulos mais intensos para percebê-los.

Isso não significa que a pessoa simplesmente “não sente”. A forma como aquele estímulo é percebido e processado pode ser diferente.


Busca sensorial

Algumas pessoas autistas também apresentam comportamentos de busca sensorial.

Podem procurar determinadas sensações repetidamente, como:


  • balançar o corpo;

  • girar;

  • tocar objetos;

  • observar movimentos repetitivos;

  • procurar pressão sobre o corpo;

  • cheirar objetos;

  • ouvir determinados sons repetidamente;

  • buscar atividades que envolvam bastante movimento.


Por isso, alterações sensoriais no autismo não significam apenas evitar estímulos.

Em alguns casos, a pessoa pode justamente procurar por eles.


Uma pessoa pode ser sensível a um estímulo e buscar outro?


Sim. O perfil sensorial não é igual para todos e nem funciona da mesma maneira em todos os sentidos. Uma pessoa pode ser muito sensível a sons e, ao mesmo tempo, gostar de estímulos visuais intensos.


Pode evitar determinados tecidos, mas buscar pressão no corpo. Pode sentir desconforto com alguns tipos de toque e procurar outros. Além disso, a resposta pode mudar conforme o contexto.


Cansaço, estresse, ansiedade, quantidade de estímulos no ambiente e até situações inesperadas podem diminuir a tolerância naquele momento.


Por isso, compreender o perfil sensorial de uma pessoa envolve observar quais estímulos incomodam, quais ela procura e em quais situações essas reações aparecem.


Como a sensibilidade a barulho aparece no autismo?


A sensibilidade auditiva é uma das características sensoriais mais conhecidas no autismo. Imagine entrar em um restaurante movimentado. Há música, talheres batendo, pessoas conversando, cadeiras se movimentando, sons da cozinha e alguém falando diretamente com você.


Para algumas pessoas, grande parte desses ruídos vai naturalmente para segundo plano. Para uma pessoa com maior sensibilidade auditiva, vários desses sons podem continuar sendo percebidos ao mesmo tempo.


Isso pode gerar:

  • dificuldade de acompanhar uma conversa;

  • irritação;

  • necessidade de tampar os ouvidos;

  • vontade de sair do ambiente;

  • dificuldade de concentração;

  • ansiedade;

  • cansaço ou sensação de sobrecarga.


Por isso, uma reação intensa a um ambiente barulhento nem sempre deve ser interpretada apenas como comportamento inadequado. Pode existir uma experiência sensorial importante por trás daquela reação.


Autismo pode causar incômodo com roupas e toque?


Pode. Algumas pessoas autistas apresentam maior sensibilidade tátil.

Nesse caso, determinados estímulos podem gerar bastante desconforto, como:

  • etiquetas;

  • costuras;

  • tecidos específicos;

  • roupas apertadas;

  • determinados tipos de calçado;

  • toque inesperado;

  • abraços;

  • corte de cabelo;

  • cuidados de higiene.


Em crianças, essas reações às vezes são interpretadas como “manha” ou resistência.

Antes de concluir isso, é importante considerar se aquele estímulo pode estar sendo percebido como realmente desconfortável.


Seletividade alimentar pode ter relação com sensibilidade sensorial?


Sim. A alimentação envolve diferentes experiências sensoriais ao mesmo tempo.

Ao comer, percebemos:

  • cheiro;

  • sabor;

  • temperatura;

  • textura;

  • consistência;

  • aparência do alimento.


Por isso, algumas pessoas autistas podem aceitar apenas determinadas consistências, temperaturas ou apresentações. Uma criança pode, por exemplo, aceitar alimentos crocantes e rejeitar alimentos pastosos.


Outra pode recusar alimentos pelo cheiro ou até pela aparência. Mas nem toda seletividade alimentar está relacionada ao autismo.

Quando ela é intensa, reduz muito a variedade de alimentos ou começa a comprometer a alimentação, é importante realizar uma avaliação adequada.


O que é sobrecarga sensorial no autismo?


Sobrecarga sensorial acontece quando a quantidade ou intensidade dos estímulos ultrapassa aquilo que a pessoa consegue organizar e tolerar naquele momento.

Imagine novamente um ambiente com:


  • música alta;

  • muitas pessoas falando;

  • luzes fortes;

  • cheiro intenso;

  • movimento constante;

  • contato físico inesperado.


Para algumas pessoas, essa combinação pode se tornar difícil de suportar. Durante uma sobrecarga sensorial, podem aparecer comportamentos como:


  • necessidade de sair do ambiente;

  • tampar os ouvidos;

  • chorar;

  • ficar muito irritado;

  • aumentar movimentos repetitivos;

  • ter dificuldade para falar ou responder;

  • buscar isolamento;

  • apresentar grande cansaço depois da situação.


Nesses casos, olhar apenas para a reação final pode não ser suficiente.

É importante perguntar também: O que aconteceu antes dessa reação?

Talvez o ambiente estivesse muito barulhento. Talvez a pessoa já estivesse cansada.

Talvez diversos estímulos tenham se acumulado ao mesmo tempo.


Entender os gatilhos ajuda a pensar em estratégias mais adequadas.


Sensibilidade sensorial significa autismo?


Não. Ter sensibilidade a sons, luzes, texturas, cheiros ou toque não significa automaticamente que a pessoa seja autista.

Alterações sensoriais também podem aparecer em pessoas com outras condições e até em pessoas sem nenhum diagnóstico.


O diagnóstico de autismo considera um conjunto de características relacionadas principalmente à comunicação e interação social, além de padrões restritos ou repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.


Por isso, nenhum sinal isolado deve ser usado para confirmar ou descartar um diagnóstico.


Sensibilidade sensorial no autismo e no TDAH é a mesma coisa?


Existe, porém, uma diferença importante.


No autismo, alterações como hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais estão previstas entre as possíveis características utilizadas nos critérios diagnósticos.

No TDAH, dificuldades sensoriais podem aparecer, mas não fazem parte dos critérios centrais usados para estabelecer o diagnóstico.


Isso não significa que seja possível diferenciar autismo e TDAH apenas observando a sensibilidade sensorial.


Além disso, as duas condições podem estar presentes na mesma pessoa.

Por isso, o diagnóstico precisa considerar o desenvolvimento e o funcionamento da pessoa de maneira mais ampla.


Quando procurar uma avaliação?

Vale buscar uma avaliação quando as questões sensoriais provocam sofrimento ou começam a interferir significativamente no cotidiano.


Por exemplo, quando existe:

  • dificuldade importante para frequentar escola, trabalho ou lugares públicos;

  • seletividade alimentar intensa;

  • reações frequentes a sons, luzes ou toque;

  • dificuldade com roupas, higiene ou cuidados pessoais;

  • episódios recorrentes de sobrecarga;

  • associação com dificuldades de comunicação ou interação;

  • outras dúvidas relacionadas ao desenvolvimento.


Durante uma avaliação de autismo, as características sensoriais podem ser investigadas como parte do funcionamento geral da pessoa. Mas elas nunca devem ser analisadas isoladamente.


Perguntas frequentes sobre autismo e sensibilidade sensorial


Toda pessoa autista tem sensibilidade sensorial?

Não. Alterações sensoriais são muito comuns no autismo, mas cada pessoa apresenta um perfil diferente. Além disso, não é obrigatório ter hipersensibilidade sensorial para receber um diagnóstico de TEA.

Sensibilidade a barulho é sinal de autismo?

Pode aparecer em pessoas autistas, mas sensibilidade a sons isoladamente não indica autismo. O diagnóstico considera diversas características e a história de desenvolvimento da pessoa.

Por que algumas pessoas autistas tapam os ouvidos?

Em alguns casos, determinados sons podem ser percebidos como muito intensos ou desconfortáveis. Tampar os ouvidos pode ser uma forma de reduzir aquele estímulo. Porém, esse comportamento pode ter outras explicações e precisa ser compreendido dentro do contexto.

Autismo pode causar incômodo com roupas?

Pessoas autistas podem apresentar sensibilidade a tecidos, costuras, etiquetas, pressão das roupas ou outros estímulos táteis.

Pessoas autistas podem não gostar de abraço?

Algumas podem apresentar desconforto com determinados tipos de toque, principalmente quando são inesperados. Isso não significa necessariamente rejeição à outra pessoa.

Sensibilidade sensorial significa autismo?

Não. Alterações sensoriais podem aparecer no autismo, em outras condições ou mesmo em pessoas sem diagnóstico. Esse sinal isoladamente não é suficiente para confirmar TEA.

Pessoas autistas podem gostar de sons altos?

Sim. O perfil sensorial varia. Enquanto algumas pessoas evitam determinados sons, outras podem buscar estímulos auditivos intensos ou repetitivos.

Uma pessoa autista pode ter hipersensibilidade e hipossensibilidade?

Sim. Uma mesma pessoa pode apresentar respostas diferentes dependendo do tipo de estímulo. Ela pode ser muito sensível a sons e apresentar pouca resposta ou busca sensorial em outro sistema.

 
 
 

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