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Autismo em bebês: quais são os primeiros sinais

  • Foto do escritor: Aline D'Avila
    Aline D'Avila
  • há 10 horas
  • 5 min de leitura

Quando um bebê demora a falar, não responde ao próprio nome ou parece interagir menos do que outras crianças da mesma idade, é comum que surja uma dúvida entre os pais: será que pode ser autismo?


Essa preocupação merece atenção, mas também precisa ser vista com cuidado.

O desenvolvimento infantil não acontece exatamente da mesma forma para todas as crianças. Existem variações esperadas de ritmo e comportamento e, por isso, um sinal isolado não é suficiente para indicar Transtorno do Espectro Autista (TEA).


O mais importante é observar o desenvolvimento como um todo e perceber quando determinados comportamentos aparecem de maneira persistente ou quando diferentes sinais começam a acontecer em conjunto.


É possível perceber sinais de autismo em um bebê?


Sim. Alguns sinais relacionados ao desenvolvimento da comunicação, da interação social e do comportamento podem ser percebidos ainda nos primeiros meses ou primeiros anos de vida.

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que pode envolver diferenças principalmente na comunicação e interação social, além da presença de comportamentos ou interesses restritos e repetitivos.


Isso não significa que todo bebê que apresenta atraso na fala, evita olhar para alguém ou realiza movimentos repetitivos tenha autismo.


Esses comportamentos funcionam como sinais de atenção: indicam que pode ser importante observar o desenvolvimento com mais cuidado e, dependendo do caso, realizar uma avaliação especializada.


Quais são os primeiros sinais de autismo em bebês?

Os sinais podem variar bastante de uma criança para outra. Afinal, estamos falando de um espectro.

Ainda assim, alguns comportamentos merecem atenção quando são frequentes, persistentes ou aparecem associados a outros sinais.


1. Pouco contato visual e interesse reduzido por rostos

Desde os primeiros meses, os bebês costumam demonstrar interesse pelo rosto e pela voz das pessoas ao seu redor.


Um bebê que raramente procura o olhar do cuidador, apresenta dificuldade para sustentar o contato visual ou demonstra pouco interesse por rostos pode precisar de uma observação mais cuidadosa do desenvolvimento.


O Ministério da Saúde inclui o pouco interesse pela face humana e o olhar pouco sustentado entre os sinais que podem sugerir desenvolvimento atípico nos primeiros meses.


2. Pouca resposta ao próprio nome

Ao longo do primeiro ano, o bebê começa progressivamente a reconhecer e responder quando alguém chama seu nome.


Quando essa resposta acontece poucas vezes ou parece não acontecer, especialmente de forma persistente, vale investigar.


É importante lembrar que outras condições também podem interferir nessa resposta, inclusive dificuldades auditivas. Por isso, não é possível concluir que se trata de autismo apenas a partir desse comportamento.


3. Poucos gestos para se comunicar

Antes mesmo de aprender a falar, o bebê já se comunica. Ele pode apontar para alguma coisa que deseja, levantar os braços para pedir colo, mandar beijo, dar tchau ou olhar para o adulto e depois para um objeto interessante.

Essa troca é conhecida como comunicação não verbal.


Quando há pouca utilização de gestos ou dificuldade em compartilhar interesses com outras pessoas — por exemplo, não apontar para mostrar algo interessante — esse pode ser um sinal importante para avaliação.


4. Atraso ou diferenças no desenvolvimento da linguagem

Balbuciar, produzir sons, imitar vocalizações e, posteriormente, começar a utilizar palavras fazem parte do desenvolvimento da comunicação.


Entre os sinais que podem chamar atenção estão:


  • pouca produção de sons e balbucios;

  • atraso no surgimento das primeiras palavras;

  • dificuldade para utilizar a fala com intenção comunicativa;

  • repetição frequente de palavras ou expressões;

  • pouca iniciativa para tentar se comunicar.


Mas é importante reforçar: atraso de fala não significa necessariamente autismo.

Existem diferentes motivos pelos quais uma criança pode apresentar atraso no desenvolvimento da linguagem, e uma avaliação adequada ajuda a compreender o que está acontecendo.


5. Pouca reciprocidade nas interações

O bebê normalmente começa a construir pequenas “conversas” com seus cuidadores muito antes de falar.

Um sorriso recebe outro sorriso. Um som do adulto provoca uma vocalização. Uma brincadeira é repetida porque a criança demonstra interesse.


Essa troca é parte importante do desenvolvimento social. Quando o bebê apresenta pouca iniciativa ou pouca resposta nessas interações, raramente tenta compartilhar atenção ou parece pouco interessado nas trocas sociais, isso pode ser um sinal que merece acompanhamento.


6. Comportamentos ou movimentos repetitivos

Algumas crianças no espectro podem apresentar comportamentos repetitivos, como balançar o corpo, movimentar as mãos repetidamente, girar objetos ou demonstrar interesse intenso por determinadas características de brinquedos e objetos.


Um comportamento repetitivo ocasional, porém, não define autismo. O que precisa ser considerado é a frequência, a intensidade, o contexto e a presença de outros sinais do desenvolvimento.


7. Reações diferentes a sons, luzes, texturas ou outros estímulos

Algumas crianças podem perceber estímulos sensoriais de maneira mais intensa ou menos intensa.


Isso pode aparecer como grande desconforto diante de determinados sons, resistência a certas texturas, reações incomuns à luz ou uma busca frequente por determinadas sensações.


Alterações de sensibilidade a sons, luzes e texturas estão entre os sinais que podem estar associados ao TEA.


E se a criança perder habilidades que já possuía?

Esse é um ponto especialmente importante. Se uma criança falava algumas palavras e deixa de utilizá-las, fazia determinados gestos e deixa de fazê-los ou passa a interagir significativamente menos do que antes, essa regressão de habilidades deve ser investigada.


O Ministério da Saúde inclui a perda de habilidades previamente adquiridas entre os sinais de alerta para o desenvolvimento. Nesses casos, não é recomendado apenas “esperar para ver se passa”.


O que observar em cada idade?

Os marcos do desenvolvimento ajudam profissionais e familiares a acompanhar a evolução da criança, mas não devem funcionar como uma lista rígida.


De forma geral, alguns comportamentos sociais e comunicativos esperados incluem:


  • De 0 a 6 meses: interesse por rostos, contato visual e desenvolvimento do sorriso social.

  • De 6 a 12 meses: aumento dos balbucios, resposta ao nome e início de imitações simples.

  • De 12 a 24 meses: primeiras palavras, uso de gestos como apontar para compartilhar interesse e desenvolvimento progressivo das brincadeiras.


Entre 2 e 3 anos: ampliação da linguagem, combinação de palavras, maior interesse por outras crianças e desenvolvimento das brincadeiras simbólicas.

Mais importante do que comparar seu filho com outra criança é acompanhar a trajetória de desenvolvimento dele ao longo do tempo.


Um desses sinais significa que meu filho tem autismo?

Não. Essa talvez seja a informação mais importante deste conteúdo.

Nenhum comportamento isolado confirma o diagnóstico de TEA.


Uma criança pode apresentar atraso na linguagem e não estar no espectro. Pode não responder ao nome por uma questão auditiva. Pode evitar determinado estímulo por características sensoriais individuais.


Por isso, listas encontradas na internet podem ajudar famílias a reconhecer sinais de atenção, mas não substituem uma avaliação profissional.


Quando procurar uma avaliação?

Se você percebe diferenças persistentes na comunicação, interação, linguagem ou comportamento da criança, ou simplesmente sente que o desenvolvimento não está acontecendo como esperado, vale conversar com um profissional.


Não é necessário esperar que os sinais se tornem muito evidentes para buscar orientação.

No Brasil, o acompanhamento do desenvolvimento deve fazer parte das consultas de rotina da criança. O Ministério da Saúde também utiliza o M-CHAT-R/F, instrumento de rastreio para sinais de risco de TEA que pode ser aplicado entre 16 e 30 meses de idade.


Quando necessário, a investigação pode envolver diferentes profissionais, considerando aspectos do desenvolvimento, linguagem, comportamento, cognição e funcionamento da criança.

Identificar cedo não é colocar um rótulo

Para muitas famílias, procurar uma avaliação pode gerar medo. Mas investigar não significa partir em busca de um diagnóstico a qualquer custo.


Significa tentar compreender como aquela criança está se desenvolvendo, quais são suas necessidades e de que maneira podemos ajudá-la.


Quando existem dificuldades, identificá-las precocemente permite oferecer suporte e intervenções adequadas em uma fase de grande desenvolvimento infantil.

Se algo no desenvolvimento do seu filho tem chamado sua atenção, não tente chegar sozinho a uma conclusão comparando comportamentos ou fazendo testes encontrados na internet.


Observe, registre suas dúvidas e procure uma avaliação profissional.

Mais importante do que encontrar rapidamente um nome para aquilo que você está percebendo é compreender a criança de forma individual e oferecer a ela o suporte de que realmente precisa.

 
 
 

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