Sinais de TDAH em crianças: como identificar e quando buscar ajuda
- Aline D'Avila

- 21 de abr.
- 3 min de leitura
Toda criança tem dias em que parece que não consegue parar quieta, que esquece tudo ou que não termina o que começa. Isso é normal. Mas quando esses comportamentos são frequentes, intensos e acontecem em todos os ambientes, em casa, na escola, na casa dos avós, pode ser sinal de algo mais.
O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é uma das condições neurológicas mais comuns na infância, afetando entre 5% e 8% das crianças em idade escolar. Ainda assim, é um dos transtornos mais mal compreendidos, e frequentemente mal diagnosticado ou subdiagnosticado.
Neste artigo, vou mostrar os principais sinais de TDAH em crianças, explicar as diferentes apresentações do transtorno e orientar sobre quando e como buscar ajuda profissional.
O que é o TDAH?
O TDAH é uma condição neurobiológica do desenvolvimento. Isso significa que ela está relacionada ao funcionamento do cérebro, especificamente às regiões responsáveis por controlar a atenção, o comportamento e os impulsos.
Não é falta de educação. Não é preguiça. Não é "criança mal criada". O TDAH tem base neurológica, é reconhecido pela medicina e tem tratamento eficaz.
Ele se manifesta de três formas principais:
Apresentação predominantemente desatenta: a criança não é hiperativa, mas tem muita dificuldade para manter o foco, organizar tarefas e lembrar de compromissos.
Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva: a criança tem dificuldade de ficar parada, fala em excesso e age antes de pensar.
Apresentação combinada: a mais comum, une características das duas formas anteriores.
Principais sinais de TDAH em crianças
Sinais relacionados à desatenção
Comete erros por descuido em lição de casa ou provas (não relê o que escreveu)
Parece não escutar quando falado diretamente
Não segue instruções e não termina tarefas (não por desobediência, mas por perder o fio)
Tem dificuldade em se organizar (quarto, mochila, caderno)
Perde objetos com frequência (lápis, borracha, agenda, casaco)
É facilmente distraída por estímulos externos (barulho, movimento)
Esquece atividades rotineiras mesmo com lembretes
Sinais relacionados à hiperatividade e impulsividade
Mexe as mãos e os pés constantemente, levanta da cadeira com frequência
Corre e sobe nos móveis em situações inadequadas
Tem dificuldade de brincar ou se envolver em atividades mais tranquilas
Fala muito, muitas vezes sem parar para escutar o outro
Responde antes de a pergunta ser concluída
Tem dificuldade em esperar sua vez em jogos ou conversas
Interrompe ou se intromete nas atividades dos outros frequentemente
TDAH em meninas: por que é diferente?
Por muito tempo, o TDAH foi estudado quase exclusivamente em meninos — o que gerou um subdiagnóstico enorme nas meninas. Isso porque as meninas com TDAH costumam apresentar mais a forma desatenta, menos "barulhenta" e visível.
Uma menina com TDAH pode parecer sonhadora, tímida, distraída com os próprios pensamentos, mas não agitada. E por isso passa despercebida por anos.
Se o seu filho é uma menina que se encaixa mais nos sinais de desatenção do que nos de hiperatividade, não descarte a possibilidade do TDAH apenas porque ela "não é agitada".
O que NÃO é TDAH (mas pode parecer)
Antes de buscar um diagnóstico, é importante saber que outros fatores podem causar comportamentos semelhantes aos do TDAH:
Ansiedade: crianças ansiosas podem ter dificuldade de concentração e inquietação
Privação de sono: falta de sono prejudica muito a atenção e o autocontrole
Problemas visuais ou auditivos: dificuldade para ver ou ouvir bem em sala
Conflitos familiares ou mudanças de rotina: podem gerar comportamentos transitórios
Superdotação: crianças muito inteligentes podem se dispersar por tédio
Por isso, o diagnóstico do TDAH precisa ser feito por um profissional qualificado, e não pode ser baseado em uma observação isolada ou em um formulário online.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do TDAH é clínico, ou seja, baseado em critérios comportamentais, não em exames de sangue ou neuroimagem. Ele envolve:
Entrevista detalhada com os pais sobre o histórico da criança
Avaliação neuropsicológica (testes de atenção, memória, funções executivas)
Questionários respondidos por pais e professores
Observação do comportamento da criança
Exclusão de outras condições que possam explicar os sintomas
A avaliação neuropsicológica é uma das ferramentas mais completas para chegar a um diagnóstico preciso e a um plano de intervenção personalizado.
O que fazer se suspeitar de TDAH?
Suspeita não é diagnóstico. Mas suspeita merece investigação. Se você reconheceu vários desses sinais no seu filho, e eles aparecem em mais de um ambiente, há pelo menos seis meses, é hora de buscar uma avaliação com um neuropsicólogo ou neuropediatra.
Quanto antes o diagnóstico acontece, antes as intervenções começam, e maior o impacto positivo no desenvolvimento da criança. Agende uma avaliação com a Dra. Aline D'Avila e entenda o que está por trás do comportamento do seu filho.



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